Numa altura em que as alterações climáticas fragilizam os sistemas agrícolas convencionais, uma planta modesta revela-se preciosa para a resiliência económica e ecológica. O figo-da-índia valoriza terras áridas, dá sustento a comunidades rurais e abre caminho a uma agricultura mais sustentável e mais justa.
Uma planta que precisa de pouca água
Graças ao seu metabolismo fotossintético particular (CAM), a figueira-da-índia produz muito mais biomassa por litro de água do que culturas convencionais como o trigo ou o milho. Está perfeitamente adaptada à seca e prospera onde poucas outras culturas sobrevivem.
As suas raízes, pouco profundas mas muito extensas, captam rapidamente a mais pequena chuva, enquanto a sua espessa cutícula limita as perdas de água. Num contexto de stress hídrico crescente no Norte de África, é uma cultura com futuro.
Contra a erosão e a degradação dos solos
A degradação dos solos ameaça muitas terras agrícolas no Norte de África. Plantada em sebes ou em faixas, a figueira-da-índia ajuda a estabilizar os solos e a limitar a erosão.
Em Marrocos, a área plantada triplicou entre 1998 e 2017, em grande parte para fazer face à seca, antes de ser atingida, a partir de 2014, por uma cochonilha invasora que obriga hoje a replantar variedades resistentes.
As cooperativas femininas: autonomia económica e social
Em Marrocos, sobretudo na região do Souss, onde está sediado o GIE Targanine, o óleo de sementes de figo-da-índia contribui para a autonomia económica das mulheres rurais. As cooperativas femininas organizam a colheita, a extração e a venda do óleo, e geram rendimentos para as mulheres e as suas famílias.
Para além dos rendimentos, estas cooperativas reforçam o lugar das mulheres na sua comunidade. A Targanine indica, por exemplo, que investe na educação, no acolhimento de crianças e no acesso a cuidados de saúde.
Comércio justo e certificações biológicas
As certificações biológicas (Ecocert, COSMOS) atestam uma produção sem pesticidas nem fertilizantes químicos de síntese. Já a certificação de comércio justo Fair for Life assegura um preço justo para os produtores, um fundo de desenvolvimento e condições de trabalho dignas.
Estas certificações abrem as portas de mercados internacionais exigentes e permitem às cooperativas valorizar melhor a sua produção junto de consumidores atentos à origem daquilo que compram.
Uma fileira com futuro
O óleo de figo-da-índia desperta um interesse crescente na cosmética natural. É raro (quase uma tonelada de frutos para cerca de um litro de óleo, segundo a Targanine), precioso e provém de fileiras que apoiam comunidades rurais.
Para as regiões produtoras, é uma fonte de rendimento complementar, que valoriza frutos cultivados em terras onde poucas outras culturas prosperam.
Adaptação às alterações climáticas e segurança alimentar
As alterações climáticas fragilizam os sistemas alimentares: temperaturas extremas, secas prolongadas, chuvas irregulares. Tolerante ao calor e à falta de água, a figueira-da-índia oferece uma espécie de seguro face a estes riscos.
A FAO apresenta, aliás, os cactos, incluindo a figueira-da-índia, como culturas adaptadas a «um mundo mais quente e mais seco»: podem fornecer alimento, forragem e rendimentos mesmo em condições difíceis.
Descubra o nosso óleo puro
Atlas Pure: óleo 100 % puro, prensado a frio a partir de sementes de figo-da-índia por uma cooperativa feminina marroquina com as certificações Bio Ecocert, Cosmos e Fair for Life.
Descubra os nossos produtosFontes: FAO & ICARDA (2017), Crop ecology, cultivation and uses of cactus pear (coord. P. Inglese); Feedipedia, «Cactus as a fodder and beyond»; «Root distribution with changes in distance and depth of two-year-old cactus pears Opuntia ficus-indica and O. robusta plants», South African Journal of Botany (2006); Scientific Reports (2023), estudo sobre a Dactylopius opuntiae em Marrocos; GIE Targanine (targanine.com); Fair for Life (fairforlife.org).